As palavras ofertadas: o sentido da audição na erótica dialógica no Primeiro Alcibíades de Platão
Mots-clés :
erótica, discurso, Alcibíades, PlatãoRésumé
Este estudo investiga a relação entre Sócrates e Alcibíades no diálogo Primeiro Alcibíades, com ênfase na articulação entre desejo e filosofia. A análise concentra-se na performance erótica que estrutura a interlocução socrática, especialmente nos papéis de perguntador (ὁ ἐρωτῶν) e respondente (ὁ ἀποκρινόμενος), que operam como engrenagens dramáticas do diálogo. Argumenta-se que Sócrates mobiliza um topos discursivo de natureza erótica, por meio do qual conduz seus interlocutores ao exame de si e à reflexão filosófica. A dinâmica entre erastés e erómenos é compreendida como um dispositivo pedagógico que tensiona corpo e alma, desejo e razão, revelando um modo de dizer filosófico que se constrói na intersecção entre a erótica e a dialógica. O trabalho propõe, assim, que o discurso socrático no Primeiro Alcibíades é inseparável da dimensão afetiva que permeia o exercício filosófico.
Este estudo investiga a relação entre Sócrates e Alcibíades no diálogo Primeiro Alcibíades, com ênfase na articulação entre desejo e filosofia. A análise concentra-se na performance erótica que estrutura a interlocução socrática, especialmente nos papéis de perguntador (ὁ ἐρωτῶν) e respondente (ὁ ἀποκρινόμενος), que operam como engrenagens dramáticas do diálogo. Argumenta-se que Sócrates mobiliza um topos discursivo de natureza erótica, por meio do qual conduz seus interlocutores ao exame de si e à reflexão filosófica. A dinâmica entre erastés e erómenos é compreendida como um dispositivo pedagógico que tensiona corpo e alma, desejo e razão, revelando um modo de dizer filosófico que se constrói na intersecção entre a erótica e a dialógica. O trabalho propõe, assim, que o discurso socrático no Primeiro Alcibíades é inseparável da dimensão afetiva que permeia o exercício filosófico.
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