Do saber ao conhecimento: o programa da epistemologia platônica

José Gabriel Trindade Santos

Resumo


No Sofista, Platão reformula a “negativa” como “alteridade” e articula “participação” e “predicação” para habilitar o enunciado para o conhecimento da realidade. O seu objetivo é eliminar os problemas criados pelas críticas de Górgias e Protágoras (“pensamento” e “discurso” não têm acesso ao real) à concepção de Parménides (para quem “pensar” é um estado cognitivo infalível). Platão resgata a infalibilidade do saber nos diálogos “socráticos”. Todavia, se elege a “opinião” como “competência cognitiva” (República V-VII), não deixa de (no Teeteto) apontar a impossibilidade de através dela atingir o “saber”. Todas estas dificuldades são, no Sofista, superadas pela proposta de uma epistemologia predicativa.

Palavras-chave


Platão; Epistemologia; contextos não-predicativo/predicativo

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Referências


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