Ética e Poética em Fernando Pessoa: por um ética do desejo e da perversão

Fernando Segolin

Resumo


Reflexão sobre os possíveis aspectos éticos da prática poética em Pessoa, a partir do conceito de poesia proposto por Roland Barthes, segundo o qual o “fazer poético”, enquanto “praxis escritural”, se definiria fundamentalmente pela “transgressão das transgressões da linguagem”. Considerado do ângulo da índole persistente e reiteradamente transgressiva do discurso poético face a outros discursos com os quais dialogaria, o conhecido desdobramento poéticoheteronímico em Pessoa poderia ser entendido como a concretização de uma proposta ética centrada na multiplicação e proliferação das linguagens, com o objetivo de, mediante a prática e experimentação de idioletos diversos, abrir caminho para a instauração de uma “poesia desejante”, empenhada em inscrever, na “per-versidade” da errância discursiva, o traçado volúvel e incerto de múltiplos desejos.

Palavras-chave


poesia; transgressão; ética

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